Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/82908
Title: A “Epidemia Silenciosa”: Estudo comparativo entre indivíduos diabéticos e não diabéticos do distrito de Coimbra
Other Titles: Silent Epidemic: Comparative study between diabetic and non-diabetic individuals from the district of Coimbra
Authors: Fragata, Tatiana Medeiros
Orientador: Padez, Cristina Maria Proença
Keywords: Diabetes tipo II; Saúde; Socioeconómico; Auto-vigilância; Infância; Type 2 diabetes; Health; Socioeconomic; Self-monitoring; Infancy
Issue Date: 21-Sep-2017
Serial title, monograph or event: A “Epidemia Silenciosa”: Estudo comparativo entre indivíduos diabéticos e não diabéticos do distrito de Coimbra
Place of publication or event: Departamento de Ciências da Vida
Abstract: Objectivos: A diabetes mellitus tipo 2 é considerada uma das maiores epidemias de saúde pública do século XXI, que marca não apenas as agendas macro, políticas e económicas, como também a vivência micro e subjectiva do diabético. O presente estudo assenta na comparação dos contextos político, económico, social e histórico entre indivíduos diabéticos e não diabéticos do distrito de Coimbra, de modo a verificar que factores influenciam a incidência e morbilidade da diabetes tipo II. Houve ainda o propósito de compreender quais os determinantes sociais que intervêm num controlo adequado da doença metabólica e na construção da experiência individual da diabetes. Uma vez que a diabetes é classificada como multifactorial, torna-se pertinente esta avaliação holística, para que num futuro próximo seja possível aperfeiçoar os programas de prevenção primária da doença, aquando da elaboração de planos e políticas de saúde.Metodologia: A investigação transversal descritiva recorreu à metodologia quantitativa (inquéritos) e qualitativa (histórias de vida). Quanto à metodologia quantitativa, foram aplicados 200 questionários, 100 a indivíduos diabéticos e 100 a indivíduos não diabéticos, e recolhidas, as medidas antropométricas (peso e altura) dos mesmos. Foi realizado um teste qui-quadrado e t-student, de forma a avaliar a relação entre as variáveis dependentes presença/ausência de diabetes tipo II e auto-vigilância (apenas aplicada nos indivíduos diabéticos), e todas as variáveis em estudo. Foram efectuados modelos, univariados e multivariados, de regressão logística, de modo a estimar quais as variáveis que estavam associadas a uma maior probabilidade de ter diabetes tipo II ou uma má vigilância da doença, ajustados para as características sociodemográficas. Relativamente à metodologia qualitativa, foram realizadas 8 entrevistas semi-estruturadas individuais de modo a aceder à experiência subjectiva da doença metabólica.Resultados: No modelo multivariado, para a variável dependente presença/ausência de diabetes tipo II, observou-se que os indivíduos do sexo masculino (OR=2,66; IC 95%=1,150-6,167; p=0,022) e os que residem em meio semi-urbano (OR=9,909; IC 95%=2,632-37,305; p=0,001) apresentam maior probabilidade de ter diabetes tipo II. No que concerne à frequência alimentar, uma ingestão de açúcares, tanto semanal (OR=4,606; IC 95%=1,289-16,458; p=0,019) como rara (OR=23,409; IC 95%=5,215-110,102; p<0,001), e um consumo de enchidos semanal (OR=3,184; IC 95%=1,194-8,489; p=0,021) e diário (OR=19,019; IC 95%=2,885-125,391; p=0,002), induzem uma maior predisposição ao desenvolvimento da DM2. Por fim, importa referir que as hipóteses de ter diabetes tipo II são amplificadas em 44,7% quando este é acompanhado pelo aumento do consumo de medicamentos.Quanto à variável dependente auto-vigilância, ao analisar os resultados observa-se que os participantes diabéticos tanto com o ensino básico (OR=8,094; IC 95%=1,745-37,538; p=0,008), e secundário (OR=35,440; IC 95%=2,248-558,766; p=0,011) apresentam uma maior probabilidade de mostrar um mau controlo glicémico. Ao nível do local de residência, os participantes que vivem em ambiente semi-urbano (OR=3,868; IC 95%=1,262-11,850; p=0,018) e rural (OR=10,912; IC 95%=2,681-44,412; p=0,001) demonstram um maior risco de negligenciar o seu estado de saúde. Por fim, é pertinente salientar o papel da água na diabetes tipo II, visto que as pessoas que consomem menos do que 1 litro diariamente têm uma maior probabilidade de ter uma má auto-vigilância (OR=10,681; IC 95%=1,701-67,077; p=0,012).A análise intersubjectiva das narrativas confirmou a existência de uma relação relevante do estado de saúde com o estatuto socioeconómico dos participantes, tanto actual como o da sua infância. As narrativas demonstram também como os discursos sobre o estado de saúde e hábitos alimentares são afectados pelas estruturas sociais e pelas noções de saúde dos indivíduos, havendo a necessidade de aprofundar a dicotomia: a invisibilidade na vivência com a diabetes vs a visibilidade considerando o seu impacto epidémico.
Objectives: Type 2 Diabetes Mellitus is accounted as one of the biggest public health epidemics of the twenty-first century, which mark not only the macro agenda, political and economic, but also the micro and subjective experience of the diabetic. The aim of the present study consists of a comparison of the political, economic and historic contexts done within diabetic and non-diabetic individuals from Coimbra’s district, in order to address the factors that impact on the on the type 2 diabetes incidence and morbility. It was also intended to understand which social determinants are involved in an adequate control of the metabolic disease and in the construction of the individual experience of diabetes. Since diabetes is classified as multifactorial, becomes important this holistic assessment in order to allow, in a near future, the primary prevention programs improvement upon health plans and polices draw up.Metodology: The current cross-sectional study was developed in order to obtain demographic and socioeconomic variables, eating habits and anthropometric measures of 200 individuals, 100 diabetic and 100 non diabetic, through the use of quantitative (surveys) and qualitative (life stories) methodologies. It was used the chi-square and t-student test to evaluate the relationship between the presence/absence of type 2 diabetes and self monitoring of diabetes (only applied to diabetic sub-sample) and all variables under study. It was also performed univariate and multivariate logistic regression models, adjusted for sociodemographic variables, to estimate which variables were associated with the probability of having type 2 diabetes or a poor surveillance of diabetes. Regarding the qualitative methodology, 8 individual semi-structured interviews were conducted in order to access the subjective experience of the metabolic disease.Results: In the multivariate model, for the presence / absence of type II diabetes dependent variable, it was observed that males were 2.66 times more likely to have type II diabetes, and individuals living in a semi-urban environment manifest more odds of having diabetes (OR=9,909, 95% CI=2,632-37,305, p=0.001) than those living in a city environment. In relation to food frequency, for ingestion sugars, those consuming both weekly (OR=4.606, 95% CI=1.289-16.458, p=0.019) and rarely (OR=23.409, 95% CI= 5.215-110.102, p<0.001) seems to be more likely to have diabetes, and as for sausages, a weekly (OR=3.184, 95% CI=1.194-8.489, p=0.021) and daily consume (OR=19.019, 95% CI=2,885-125,391, p=0.002) presented a higher predisposition to have diabetes. Finally, it is important to mention that the chances of having type II diabetes are amplified by 44.7% when it is accompanied by an increase in medication consumption.Regarding the self-monitoring dependent variable, when analyzing the results, it is observed that the diabetic participants with either basic education (OR=8.094, 95% CI= 1.745-37.538, p=0.008), or as secondary school students (OR=35,440, 95% CI=2,248- 558,766, p=0.011) are more likely to show poor glycemic control of the disease. At the level of the place of residence of individuals, those living in a semi-urban environment (OR=3.688, 95% CI=1.262-11.850, p=0.018) and rural (OR=10.912, 95% CI=2,681-44,412; p=0.001) show a greater risk of neglecting their state of health. Finally, it is relevant to emphasize the role of water in type II diabetes, in which people who consume less than 1 liter of water daily are more likely to have poor self-monitoring of diabetes (OR=10,681, 95% CI=1.701-67.077, p=0.012).The intersubjective analysis of the narratives confirmed the existence of a relevant relationship between the state of health and the socioeconomic status of the participants, both current and that of their childhood. The narratives also demonstrate how the discourses on health status and eating habits are affected by social structures and notions of individuals' health, having the need to deepen the dichotomy: invisibility in living with diabetes vs. visibility considering its epidemic impact.
Description: Dissertação de Mestrado em Antropologia Médica e Saúde Global apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia
URI: http://hdl.handle.net/10316/82908
Rights: openAccess
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