Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/33432
Title: Lógicas de guerra e a reprodução das margens: Gangues, mulheres e violência sexuada em El Salvador
Authors: Roque, Sílvia 
Keywords: Delinquência; El Salvador; Estudos sobre a mulher; Pós‑guerra; Violência sexual; Vitimação
Issue Date: 2012
Publisher: Centro de Estudos Sociais
Serial title, monograph or event: Revista Crítica de Ciências Sociais
Volume: 96
Place of publication or event: Coimbra
Abstract: Vinte anos após os Acordos de Paz (1992), El Salvador é considerado um dos países mais violentos do mundo. Os atores mais visíveis e temidos desta violência são os gangues que, há cerca de duas décadas, se digladiam entre si e aos quais são atribuídos vários atos de violência sexuada, incluindo contra as próprias mulheres que os integram. Estas, que são simultânea ou alternadamente vítimas e perpetradoras, fazem parte de uma imagética sobre mulheres e feminilidades anormais ou perversas; mas são, sobretudo, consideradas como exceções e, por isso, ignoradas. Este artigo explora as razões da pouca atenção prestada às motivações e à participação das mesmas em grupos violentos, bem como à violência que contra elas é praticada, a partir da desconstrução de dicotomias e oposições estanques associadas à guerra e à paz, destacando antes a fluidez das conexões entre ambas. Procura‑se demonstrar que uma conceção da guerra e da paz como estados bem definidos e separáveis e uma associação da guerra à exceção e à violência legítima não são neutras do ponto de vista da reprodução da violência em tempos de “paz”, acabando por ocultar e justificar os processos de desumanização que conduzem a uma dupla vitimação das mulheres dentro dos gangues e à negligência de que são alvo na literatura académica e nas políticas de apoio às vítimas ou de prevenção da violência.
Twenty years after the Peace Accords (1992), El Salvador is still considered one of the most violent countries in the world. The most visible and feared agents of this violence are the gangs which have fought each other for some two decades, and which are accused of various acts of sexualized violence, including against their own female members. These women, who are simultaneously or alternately victims and perpetrators, are generally viewed as abnormal or perverse examples of womanhood, exceptions and therefore ignored. This article explores the reasons why so little attention has been given to these women’s motivation and participation in violent groups, and to the violence inflicted upon them. It deconstructs the clear cut oppositions and dichotomies associated to war and peace, highlighting the fluidity of the connections between them. The conception of war and peace as well defined separable states in which war is viewed as an exceptional and legitimate form of violence is not considered to be neutral from the point of view of the reproduction of violence in “peace” time. Indeed, it is argued that it ultimately masks and justifies dehumanization processes, which doubly victimize women within gangs and cause them to be neglected in the academic literature and by victim support and violence prevention policies.
Vingt ans après les Accords de Paix (1992), le Salvador est tenu comme étant l’un des pays les plus violents du monde. Les acteurs les plus visibles et les plus redoutés de cette violence sont les gangs qui, depuis environ deux décennies, s’entretuent et auxquels sont attribués nombre d’actes de violence sexuée, y compris envers les femmes qui les intègrent. Ces dernières, qui sont simultanément ou alternativement victimes ou auteurs, font partie d’une imagétique des femmes et des féminilités anormales ou perverses; mais elles sont surtout considérées comme des exceptions et, dès lors, ignorées. Cet article se penche sur les raisons du peu d’attention qui est portée aux motivations et à la participation de ces femmes à des groupes violents, tout autant que sur la violence à laquelle elles sont soumises, en partant de la déconstruction de dichotomies et d’oppositions étanches associées à la guerre et à la paix, en soulignant tout d’abord la fluidité des connexions existant entre chacune. Nous cherchons à démontrer qu’une conception de la guerre et de la paix comme états bien définis et séparables et une association de la guerre à l’exception et à la violence légitime ne sont pas neutres du point de vue de la reproduction de la violence en temps de “paix”, et qu’elles finissent par dissimuler et justifier les processus de déshumanisation qui mènent à une double victimation des femmes au sein des gangs et à la négligence dont elles sont objet dans la littérature spécialisée et dans les politiques d’aide aux victimes ou de prévention de la violence.
URI: http://hdl.handle.net/10316/33432
ISSN: 0254-1106
2182-7435
DOI: 10.4000/rccs.4830
Rights: openAccess
Appears in Collections:I&D CES - Artigos em Revistas Nacionais

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