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Title: A perceção dos enfermeiros relacionada com o erro na prática clínica: implicações para o planeamento de cuidados e para a formação
Authors: Abreu, Cidalina da Conceição Ferreira 
Orientador: Paixão, Maria Paula
Rodrigues, Manuel Alves
Keywords: Erros de enfermagem; Cultura de segurança; Competências não técnicas; Formação; Nursing errors; Safety culture; Non-technical skills; Education
Issue Date: 7-Dec-2015
Citation: ABREU, Cidalina da Conceição Ferreira - A perceção dos enfermeiros relacionada com o erro na prática clínica : implicações para o planeamento de cuidados e para a formação. Coimbra : [s.n.], 2015. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/28292
Abstract: O erro médico consiste numa preocupação a nível global porque acarreta transtornos físicos, psicológicos e sociais para o doente e família para além dos custos nanceiros que poderiam ser evitáveis. No sentido de melhorarmos a segurança do doente emerge a necessidade de obtermos nas instituições de saúde uma cultura de segurança que remete para uma mudança de paradigma tradicional centrada na punição para uma cultura mais aberta e de aprendizagem face ao erro comedido. Considera-se também relevante que os pro ssionais desenvolvam competências psicossociais na gestão do erro clínico. Face à importância desta temática traçamos os seguintes objetivos: identi car a prevalência do erro, as circunstâncias em que ele ocorreu e as respetivas causas, averiguar a reações emocionais, caracterizar as estratégias utilizadas pelos enfermeiros para lidar com os erros e averiguar as mudanças realizadas no exercício pro ssional. Pretendemos também averiguar se existem diferenças entre os diversos tipos de erro e a perceção acerca dos mesmos em função das variáveis contextuais e identi car os fatores que in uenciam essas mudanças na prática pro ssional subsequente às ações e decisões inadequadas/erros. Trata-se de uma investigação que utiliza uma metodologia mista comportando quatro estudos, sendo o primeiro de caracter qualitativo e os restantes três estudos de índole quantitativo. Face aos resultados podemos referir que de forma sintética se evidenciaram, retrospetivamente, os erros percecionados pelos enfermeiros na categoria da Administração Segura de Medicação (ASM) com o reporte de 64% de erros, seguida da categoria Intervenção que na sua globalidade os enfermeiros reportaram terem cometido erros em 15%. As causas identi cadas para a ocorrência de erro foram o facto de os enfermeiros decidirem rapidamente sobre o que tinham que realizar ao doente, evidenciandose também a distração e a tomada de decisão errónea. Relativamente às reações emocionais face à perceção do erro evidenciaram-se com mais frequência a raiva, seguida da culpa. Quanto às estratégias para lidar com o erro identi cou-se que os enfermeiros face à situação de erro tinham conhecimento do que deveria ser feito e, consequentemente, aumentaram o esforço para que resultasse em resolução da situação. Quanto à mudança no exercício da enfermagem devido ao erro, identi cou-se que os enfermeiros pretenderam mudar de comportamento prestando maior atenção aos pormenores e a relevância de se realizar uma leitura mais cuidadosa do registo/plano de cuidados do doente. Procedeu-se também à comparação entre os diferentes tipos de erros e a perceção acerca dos mesmos em função das variáveis contextuais. Neste estudo, evidenciou-se que as funções executivas são signi cativamente superiores aquando dos erros de ASM do que nos outros tipos de erro. Salienta-se que a ocorrência de erros de ASM como de outros tipos de erro depende das condições desfavoráveis do ambiente da enfermaria/serviço. Os erros de ASM obtiveram uma média signi cativamente superior aos outros tipos de erro no medo das repercussões e nos sentimentos de culpa.Por m, relativamente aos fatores que in uenciam as mudanças construtivas e defensivas na prática pro ssional evidenciam-se como mais relevantes, os erros de julgamento que estão mais associados a mudanças construtivas do que a mudanças defensivas. As mudanças defensivas encontram-se associadas aos erros na execução da prática clínica. Os enfermeiros que concordam com a a rmação que “o ambiente na enfermaria/serviço era particularmente stressante” relatam tanto mudanças construtivas como defensivas após a ocorrência do erro. Existem mais mudanças construtivas no exercício de enfermagem quando os enfermeiros solicitam suporte por parte de superiores ou pares. As estratégias emocionais internas de raiva, culpa e de incompetência estão mais fortemente associadas a mudanças construtivas do que às mudanças defensivas. As respostas emocionais externas como o medo estão mais associado a mudanças construtivas do que a mudanças defensivas. O modelo explica 25% da variância total na ocorrência de mudanças no exercício da enfermagem subsequente ao erro reportado pelos participantes. Estes resultados consideram-se relevantes para a formação do 1º e 2º ciclos tendo em consideração uma abordagem concetual e experiencial utilizando metodologias ativas. Ao nível do doutoramento (3º ciclo) privilegiam-se os seminários e a investigação no âmbito da temática do erro.
Medical errors are a worldwide concern due to their physical, psychological and social consequences on both the patient and his/her family, but also the avoidable financial costs. Therefore, the need emerges to develop a culture of patient safety in health care institutions that implies a shift from the traditional paradigm focused on punishment to a more open culture of learning from errors. In addition, the health care professionals should also acquire psychosocial skills to manage clinical errors. Given the importance of this issue, the following objectives were outlined: to identify errors reported by nurses, the circumstances in which it occurred and its causes; analyze the emotional reactions; characterize the nurses’ strategies to deal with errors; and identify the changes occurred in clinical practice. This research also aims to investigate whether there are any differences between the various types of errors and the way they are perceived based on contextual variables, and identify the factors that influence those changes in professional practice following inadequate actions and decisions/errors. This research uses a mixed methodology and comprises four studies: the first is a qualitative study and the remaining three are quantitative studies. As an inclusion criteria participated in the study all nurses and excluded all other health professionals. Thus, the total of 3475 nurses to whom the questionnaire was made available, responded in 1165, corresponding to a return rate of 33.53%. But the final sample was composed of 815 nurses, considering the following exclusions: 220 delivered the blank questionnaire in the enclosed envelope, 101 questionnaires the nurses reported they never made mistakes and 29 were canceled. In view of the results obtained, it may be concluded that 63.95% of the nurses’ perceived errors fit into the Safe Medication Administration (SMA) category, followed by the Intervention category, in which nurses reported a total of 15% errors. The causes identified for the occurrence of errors were the fact that nurses decided too quickly what had to be performed on the patient, the distractions and wrong decision making. The most common emotional reactions to the perception of error were anger, followed by guilt. With regard to the strategies to deal with error, it was observed that nurses knew what had to be done and, consequently, increased their efforts to solve the situation. Regarding change in nursing practice as a result of the error, it was found that nurses intended to change their behavior and pay more attention to detail and to performing a more careful reading of the patient’s record/care plan. In addition, the different types of errors and how they were perceived were compared based on contextual variables. This study demonstrated that SMA errors are significantly more prevalent in executive functions than other types of errors. The occurrence of both SMA errors and other types of errors is related to unfavorable ward/service environmental conditions. As for the fear of repercussions and guilt feelings, SMA errors were significantly more frequent than other types of errors. Finally, with regard to factors influencing the impact of change in professional practice, judgment errors associated with constructive changes were found to be more relevant than those associated with defensive changes. Defensive changes are related to errors in the performance of clinical practice. The nurses who agreed with the statement that “the environment at the ward/service was particularly stressful” reported both constructive and defensive changes after the occurrence of the error. There are more constructive changes in nursing practice when nurses ask for the help of their superiors or peers. Internal emotional strategies, such as anger, guilt and incompetence, are more strongly associated with constructive changes than with defensive changes. External emotional responses, such as fear, are more associated with constructive changes than with defensive changes. The model explained 25% of the total variance in the occurrence of changes in nursing practice following the error reported by the participants. These results are considered relevant for both the 1st and 2nd cycles of studies taking into account a conceptual and experiential approach using active methods. At the doctoral level (3rd cycle), focus should be on seminars and research on the theme of error.
Description: Tese de doutoramento em Psicologia, na especialidade de Psicologia da Educação, apresentada à Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/28292
Rights: openAccess
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