Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/24524
Title: Dos monumentos do Desagravo do Santíssimo Sacramento: arte, poder e espiritualidade no Portugal do Antigo Regime
Authors: Jacquinet, Maria Luísa de Castro Vasconcelos Gonçalves 
Orientador: Pimentel, António Filipe
Câmara, Maria Alexandra Gago da
Keywords: Clarissas do Desagravo (OSC); Antigo Regime; Devoção eucarística; Relações Igreja-Estado; Património monástico; Misticismo; Poor Clares of Reparation (OSC); Old Regime; Eucharistic devotion; Church-state relations; Monastic heritage; Mysticism
Issue Date: 23-Sep-2014
Citation: JACQUINET, Maria Luísa de Castro Vasconcelos Gonçalves - Dos monumentos do Desagravo do Santíssimo Sacramento: arte, poder e espiritualidade no Portugal do Antigo Regime [em linha]. Coimbra : [s.n], 2014. Tese de doutoramento. Disponível na WWW:<http://hdl.handle.net/10316/24524>
Abstract: Conquanto tibiamente abonado pela fortuna crítica, o Instituto do Desagravo do Santíssimo Sacramento prefigura um fenómeno de relevância histórico-patrimonial não despicienda, ao participar, como parte mas também como agente, de um tempo longo que, inapelavelmente perpassado pelo eixo que uniu religião e poder, assinalou a vida religiosa, cultural e política do Reino ao longo da Época Moderna e alvores da Contemporânea. Canonicamente inserida na Primeira Regra da Ordem de Santa Clara, a Observância, que tão-só Portugal terá conhecido, viria a materializar-se na fundação sucessiva, de norte a sul do país, de uma rede cenobítica marcada por uma origem, carisma e vocação comuns. Bem que sucessivamente confrontado com conjunturas adversas ao florescimento da vida clausurada, o novel instituto contabilizaria seis fundações entre a primeira metade de Seiscentos e o último quartel de Oitocentos, dando testemunho de uma resistência institucional sem paralelo - que a revalidação canónica, ocorrida décadas após a extinção formal, e já em pleno século XX, haveria de sufragar. Crismado na origem pelo sentido e contornos de uma profanação eucarística, e profundamente infundido pelo quadro cultural e espiritual da época em que sobreveio, assinalado pela intensa devoção à Eucaristia e à Paixão de Cristo, pela influência da teologia mística e pela indelével presença da Ordem franciscana, o Desagravo instituir-se-ia, na íntima ligação entre piedade eucarística e integridade pátria, como manifesto reparatório não apenas do Santíssimo Sacramento ofendido, quanto de desacatos cujo espectro semântico se alargaria, passando a evocar, para lá de um atentado sacrílego dirigido ao Altar, uma irreverência contra os sustentáculos morais da monarquia. Ao cristalizar um fenómeno que se convertera em argumento, a memória da impiedade e da sua venerável vidente ver-se-ia sucessivamente reivindicada e apropriada como instrumento de legitimação. Tão religiosa e eclesiástica quanto política, a Regra não ficaria, pois, alheia às inflexões da vida da diocese, do exercício do poder real ou, em suma, do percurso individual ou coletivo de qualquer dos seus fautores. Instâncias privilegiadas de acolhimento deste particularíssimo "topos" devocional, a arquitetura e a arte assumir-se-iam em parte como transposição material do carisma das Clarissas da Adoração Perpétua. Não obstante o rigorismo doutrinal preconizado e a natural diversidade do património material associável a cada um dos cenóbios, a peculiaridade da enunciação estatutária refletir-se-ia numa não menos peculiar expressão patrimonial. De recorte intrinsecamente programático, ficaria vertida na ideação do espaço monástico, na incidência temática e no timbre devocional que crismariam o recheio artístico, na criação, enfim, de uma iconografia eminentemente sui generis, que, como matriz sigilar, cunharia cada monumento, conferindo-lhe simbolicamente identidade e sentido de pertença.
Although little contemplated by historiography, the Institute of Reparation of the Blessed Sacrament (Desagravo do Santissimo Sacramento) represents an very important and historically relevant phenomenon, as it stands out as part and as an agent of an extended period of time, that marked, in terms of religion and power, the religious, cultural and political dimension of the Portuguese Kingdom during the Modern Era and the beginning of the Contemporary Period. Canonically embedded in the First Rule of the Order of St. Clare, the Rule, which only existed in Portugal, materialized in the successive creation of establishments throughout the country, as a network of monasteries sharing a common origin, charisma and vocation. Despite having been successively confronted with the occurrence of adverse situations to the flowering of the cloistered life, the new institute came to have six establishments between the seventeenth century and the first half of the last quarter of the nineteenth century. Therefore, it testified institutional resistance, as the canonical revalidation proves, decades after the formal demise, in the twentieth century. Baptized in its origin by the meaning and contours of a Eucharistic desecration and deeply infused by the cultural and spiritual context of the era in which it appeared, characterized by an intense devotion to the Eucharist and the Passion of Christ, by the influence of mystical theology and the important presence of the Franciscan Order, the Reparation represented, within the intimate connection between Eucharistic piety and homeland integrity, a manifesto to repair not only the offended Blessed Sacrament, but also the semantic ungodliness, which range would widen, resulting in not only a sacrilegious attack directed at the Altar, but also an attack against the moral underpinnings of the monarchy. By crystallizing a phenomenon that had been converted into an argument, the memory of impiety and its venerable seer would be successively claimed and appropriated as an instrument of legitimization. The Rule, being not only religious and ecclesiastical but also political, would end up revealing the changes in the life of the diocese, the exercise of royal power or, in short, the individual or collective route of any of its instigators. As privileged ways to host this devotional "topos", architecture and art have taken a partial place as the material representation of the charisma of the Poor Clares of Perpetual Adoration. Notwithstanding the advocated doctrinal rigor and the diversity of the material heritage associated with each of the monasteries, the specificity of the Rule is also reflected in a particular patrimonial expression. Programmatic by nature, it appears in the monastic space design, in the themes and devotions and in the filling and creation of, in short, a sui generis iconography, which, as a seal, marked each monument, giving it, symbolically, a sense of identity and belonging.
Description: Tese de Doutoramento em Letras, área de História, especialidade de História da Arte, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra.
URI: http://hdl.handle.net/10316/24524
Rights: embargoedAccess
Appears in Collections:FLUC Secção de Artes - Teses de Doutoramento

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