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Title: Corpos na trouxa. Histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio
Authors: Wadi, Shahed 
Orientador: Bebiano, Adriana
Ramalho, Maria Irene
Keywords: Feminismo; Corpo; Palestina; Exílio; Fronteira; Histórias-artísticas-de-vida
Issue Date: 27-May-2014
Citation: WADI, Shahed Farouq Moh'd - Corpos na trouxa : histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio. Coimbra : [s.n.], 2013. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/24232
Abstract: Neste trabalho, defendo que os corpos reconfigurados nas artes das mulheres palestinianas no exílio são o lugar central de uma resistência feminista, política e palestiniana. A minha problematização parte das seguintes perguntas: será que as artistas palestinianas contemporâneas constituem uma voz artística que resiste, simultaneamente, à ocupação israelita e à sua narrativa hegemónica, e à narrativa patriarcal palestiniana? Até que ponto é que a criação das artistas palestinianas contemporâneas no exílio assente nos seus corpos, não é senão uma voz de um movimento de resistência feminista palestiniana informal? Corpos-na-trouxa são as histórias-artísticas-de-vida de mulheres palestinianas no exílio. Recorro aqui à centralidade do objeto “trouxa” no exílio palestiniano e uso-o como metáfora para a criação artística que inclui as memórias herdadas da Palestina e as histórias de vida na fronteira das artistas. Abrir as trouxas é criar arte que conta a história do exílio e a Nakba; desatar as trouxas resulta da interrupção política (Ramalho, 2000) que acontece na vida palestiniana; abrir as trouxas é sobretudo um ato de resistência exercido através do corpo das palestinianas contra as diferentes opressões: a ocupação e o sexismo. Tomo por objeto do estudo produções artísticas de palestinianas que nasceram no exílio após a catástrofe de 1948, a Nakba. As obras aqui estudadas são de exiladas fora da Palestina e de exiladas no interior dos territórios ocupados em 1948, uma vez que defendo, com Schulz (2003), que qualquer pessoa palestiniana é, de uma forma ou de outra, exilada. Refletindo sobre os lugares que ocupam os corpos palestinianos que residem simbolicamente na fronteira, abordo a narrativa incorporada (Grosz, 1994) nas obras e vidas de duas poetas (Suheir Hammad e Rafeef Ziadah), duas romancistas (Huzama Habayeb e Leila Hourani), duas realizadoras (Annemarie Jacir e Cherien Dabis), duas artistas visuais (Raeda Saadeh e Muna Hatoum) e duas bandas hip-hop (Arapyat e Sabreena da Witch). Recorro à metodologia de Trinh (1989) que defende a procura de um diálogo entre a investigadora e os objetos de estudo sem lhes impor um significado único, apoiando-me ainda na ideia de que o corpo e lugar se constroem mutuamente (Grozs, 1994). Sustentada pelas teorias sobre o exílio e a fronteira (Said, 1994; Anzaldúa, 1987), defendo que a identidade construída no exílio, uma identidade de fronteira, é um lugar desconfortável e inseguro, mas que, paradoxalmente, oferece espaço, instrumentos e mesmo uma linguagem para a criação e a resistência (Pollock, 2010). Partindo da ideia da dimensão artística das narrativas de vida orais tradicionais das mulheres palestinianas (Syigh, 2007; Plummer, 2001; Hoskins, 1998), exploro a continuidade entre estas e as reconfigurações contemporâneas que, recorrendo a outras linguagens – romance, poema, música, performance, instalação – e respetivas convenções, narram a vida individual e coletiva das mulheres palestinianas. O discurso da ocupação israelita e o discurso hegemónico palestiniano são ambos nacionalistas, chauvinistas e “masculinos”. Em ambos, Israel é representado como um homem viril e a Palestina como uma mulher, geralmente dócil ou vítima (Amireh, 2013). Ao longo desta tese, analiso a complexidade dos sistemas de poder e de resistência e as relações complexas entre um e outro (Foucault, 1978; Abu-Lughod, 1990). Nas artes das mulheres palestinianas no exílio os corpos fazem também parte dos sistemas de poder contra os quais elas resistem. Todavia, através da re-cartografia do corpo/terra (Nash, 1994) e da des-transcendentalização da língua e do imaginário nacionalistas (Spivak, 2010), defendo que estas artistas adotam estrategicamente uma parte das representações presentes nos discursos do poder, de forma a criar alternativas emancipatórias, questão particularmente relevante na figuração dos corpos. Ao longo desta dissertação argumento que as artistas palestinianas constroem uma identidade que faz dos seus corpos palestinianos de fronteira a sua referência identitária. Embora as diferentes artistas não estejam organizadas em movimentos formais, das suas obras, tal como aqui as analiso, emerge um conjunto de estratégias e uma linguagem comum, que resulta naquilo a que eu chamo um movimento palestiniano e feminista.
In the present study, I argue that the reconfigured bodies in the art of Palestinian women in exile are a central place of Palestinian political and feminist resistance. My argument starts with the following questions: Do Palestinian contemporary women artists give shape to an artistic voice that resists the Israeli occupation and its hegemonic narrative, as well as the patriarchal Palestinian narrative? Are the artistic creations of Palestinian women in exile – which is expressed through their bodies – the voice of an informal Palestinian feminist resistance movement? Bodies-in-a-bundle are the artistic-life-stories of Palestinian women in exile. I make use here of the centrality of the “bundle” in the Palestinian exile and bring into play this object as a metaphor for the art creation which includes both the inherited Palestinian memory and the life stories of the artists who inhabit at the borders. Creating art is like opening up the bundle which tells the story of exile and the Nakba; untying the bundle emerges from the political interruption (Ramalho: 2000) that happens in the life of Palestinians; opening up the bundle is, above all, an act of resistance exercised through the body of the Palestinian women against the different oppressions: the occupation and sexism. My objects of study are the artistic productions of Palestinian women born in exile after the Palestinian catastrophe –Nakba, in 1948. I study the art of women exiled outside Palestine, as well as those exiled inside the occupied territories in 1948. Like Schulz (2003), I argue that every Palestinian, in one way or another, is in fact, exiled. While reflecting on the concept of borders as a space occupied symbolically by Palestinian bodies, I analyse the embodied narrative (Grosz, 1994) in the production of two poets (Suheir Hammad and Rafeef Ziadah), two novelists (Huzama Habayeb and Leila Hourani), two directors (Annemarie Jacir and Cherien Dabis), two visual artists (Raeda Saadeh and Muna Hatoum) and two hip-hop bands (Arapyat and Sabreena da Witch). I resort to the methodology of Trinh (1989) which proposes a dialogue between the researcher and the objects of study without enforcing on the latter one single meaning, further sustained by the idea that body and place are mutually constructed (Grozs, 1994). Based on different theories regarding exile and borders (Said, 1994; Anzaldúa, 1987), I argue that the border identity constructed in exile is uncomfortable and insecure; yet, paradoxically, it offers space, tools, and even a language for creation and resistance (Pollock, 2010). Taking into consideration the artistic dimension of the traditional oral life narratives of Palestinian women (Sayigh, 2007; Plummer, 2001; Hoskins, 1998), I explore their continuity in contemporary reconfigurations. By using other languages – novels, poems, music, performance, and installations – and their conventions, these artists narrate the individual and collective lives of Palestinian women. Both the discourse of Israeli occupation and Palestinian hegemonic discourse are nationalist, chauvinistic and “masculine”. In both Israel is presented as a virile man and Palestine as a woman, usually docile or victim (Amireh, 2013). In this thesis, I analyze the complexity of the systems of power and resistance, and the complex relation between them (Foucault, 1978; Abu-Lughod, 1990). In the art of Palestinian women in exile bodies are also part of the power systems against which they resist. However, by re-mapping the body/land (Nash, 1994) and by de-transcendentalizing the nationalist language and imagination (Spivak, 2010), I argue that the artists strategically adopt part of the representations of the discourse of power as a means to create emancipatory alternatives, particularly relevant in body politics.
Description: Tese de doutoramento em Estudos Feministas, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/24232
Rights: openAccess
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