Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/23805
Title: A Flore Portugaise e as viagens de Hoffmannsegg e Link a Portugal (1795-1801)
Authors: Oliveira, Nuno Fernando da Ascenção Gomes 
Orientador: Freitas, Helena
Paiva, Jorge
Keywords: Botânica; Hoffmannsegg; Link; Flore Portugaise; Flore Lusitaniae
Issue Date: 28-Feb-2014
Citation: OLIVEIRA, Nuno Fernando da Ascenção Gomes - A Flore Portugaise e as viagens de Hoffmannsegg e Link a Portugal (1795-1801). Coimbra : [s.n.], 2014. Tese de doutoramento. Disponível na WWW: http://hdl.handle.net/10316/23805
Abstract: O mecenas e botânico alemão Johann Centuris Graf von Hoffmannseg (Conde de Hoffmannsegg) promoveu duas viagens a Portugal, uma em 1795/1796, na companhia do ilustrador e futuro dermatologista Wilhelm Gottfried Tilesius e outra, de 1798 a 1801, desta vez na companhia do botânico e professor universitário Johann Heinrich Friederich Link. A primeira viagem fracassou, mas a segunda deu origem à publicação, entre 1809 e 1840, da Flore Portugaise ou description de toutes les plantes que croissent naturellement au Portugal, (Flora Portuguesa ou descrição de todas as plantas que crescem naturalmente em Portugal) uma monumental edição, impressa na Alemanha, com 54x36 cm, 504 páginas de texto, 114 gravuras impressas pelo, então inovador, processo da calcografia e acabadas de colorir manualmente; a obra nunca foi encadernada, tendo sido editada em 22 fascículos, que foram saindo entre 1809 e 1840. O original, com 150 desenhos, ficou destruído nos últimos bombardeamentos aéreos da II Guerra Mundial, que atingiram a biblioteca do Jardim Botânico de Berlim, na noite de 1 de março de 1943. A Flore Portugaise, de que são conhecidos no Mundo muito poucos exemplares, descreve 659 espécies da flora portuguesa, das 2059 recolhidas por Hoffmannsegg e Link e das mais de 3000 atualmente conhecidas e ficou por concluir. A tipografia que a imprimiu no século XIX ainda há poucos anos, à data da queda do Muro de Berlim (1989), detinha, como verificamos, milhares de folhas soltas e gravuras da Flore Portugaise, o que demonstra que a própria distribuição foi interrompida. Parte dessas sobras da tipografia foram adquiridas por um alfarrabista alemão que encadernou na década de 1990 cerca de 50 exemplares incompletos da Flore, que vendeu em leilões, um dos quais adquirimos na Califórnia. Essas viagens, em plena Revolução Francesa, deram origem, ainda, a três livros escritos por Heinrich Friederich Link, com a descrição da própria viagem e dos percursos feitos pelos dois botânicos em Portugal. Pretendeu-se com este trabalho, através da pesquisa em arquivos e publicações antigas, apurar as circunstâncias e contexto histórico e científico em que a Flore Portugaise foi preparada e editada, e apurar as razões porque ficou por concluir; sabe-se agora que as relações pessoais entre Hoffmannsegg e Link foram uma dessas razões, porventura a principal. A vontade de Link se antecipar a Brotero na divulgação de importantes novidades botânicas sobre Portugal, levou-o a publicar em 1801 o primeiro livro da viagem a Portugal, conseguindo fazer isso antes de Brotero publicar a sua Flora Lusitanica, em 1804. Link antecipou-se também a Hoffmannsegg, publicando com este livro o mapa de Portugal que tinham preparado para incluir na Flore Portugaise, e que Hoffmannsegg tinha muita vontade de ver publicado pois, segundo ele, fazia muitas correções à geografia de Portugal o que, afinal, não era bem assim. Em 1826 o famoso editor berlinense Georg Reimer tentou concluir a edição da Flore e celebrou um contrato com Hoffmannsegg para prosseguir a edição até ao 30º fascículo, mas este contrato nunca foi cumprido, tendo a edição sido definitivamente interrompida no fascículo 22º, em 1840. Encontrou-se documentação que demonstra a preparação pelos dois botânicos alemães de uma outra obra, a Flore Lusitaniae, e traduziu-se pela primeira vez para português o prefácio que Hoffmannsegg, em data posterior a 1814, chegou a escrever para essa obra. Revisitaram-se os livros das viagens a Portugal, interpretando muita da informação ali dada, completando-a e atualização a nomenclatura das espécies descritas e, como complemento, trata-se em anexo um manuscrito inédito do botânico austríaco Friedrich Welwitsch, sobre a Flore Portugaise, encontrado na Academia de Ciências de Lisboa e um manuscrito quase inédito do botânico amador francês Louis-François de Tollenare sobre a flora do Porto.
The German botanist and patron Johann Centuris Graf von Hoffmannseg (Count von Hoffmannsegg) promoted two journeys to Portugal, one in 1795/1796 accompanied by the illustrator and future dermatologist Wilhelm Gottfried Tilesius and the other, from 1798 to 1801, this time in the company of the botanist and university professor Johann Heinrich Friederich Link. The first journey was a flop, but the second gave rise to the publication between 1809 and 1840 of Flore Portugaise ou description de toutes les plantes que croissent naturellement au Portugal, (Portuguese Flora or a description of all the plants which grow native in Portugal) a monumental edition printed in Germany measuring 54x36 cm with 504 pages of text and 114 printed engravings using what, at the time, was the innovative process of chalcography, finishing the colouring manually; the work was never bound and it was published in 22 instalments between 1809 and 1840. The original – which has 150 drawings – was destroyed during the last aerial bombardments of the Second World War which hit the library of the Botanical Garden of Berlin on the night of March 1st 1943. Flore Portugaise, of which there are few known examples worldwide, describes 659 species of Portuguese flora, of the 2059 collected by Hoffmannsegg and Link and the more than 3000 currently known and it was incomplete. The printer’s that printed it in the 19th century not so many years ago, at the time of the fall of the Berlin Wall (1989), owned – as we discovered – thousands of loose sheets and engravings from Flore Portugaise, demonstrating that the actual distribution was interrupted. Part of these printing surpluses were acquired by a German bookstore which, in the 1990’s bound around 50 incomplete copies of Flore which it sold at auctions, one of which we acquired in California. These journeys, right in the middle of the French Revolution, also gave rise to three books written by Heinrich Friederich Link, describing the actual journey and the routes followed by the two botanists in Portugal. By means of this work it was intended, by delving into old publications and files, to ascertain the circumstances and historic and scientific context in which Flore Portugaise was prepared and published, establishing the reasons why it was left incomplete; it is now known that the personal relationship between Hoffmannsegg and Link constituted one of the reasons, perhaps the main one. Link’s wish to beat Brotero to the dissemination of important botanical news about Portugal led him, in 1801, to publish the first travel book on Portugal, managing to do so before Brotero published his Flora Lusitanica in 1804. Link also got there before Hoffmannsegg, publishing along with this book the map of Portugal that they had prepared to include in Flore Portugaise and that Hoffmannsegg was very keen on publishing as, according to him, it made many corrections to the geography of Portugal which was not actually the case. In 1826 the famous Berlin publisher Georg Reimer tried to complete the publication of Flore and he signed a contract with Hoffmannsegg to continue publication until the 30th instalment, but this contract was never fulfilled and publication was definitively interrupted at instalment 22 in 1840. Documentation was found demonstrating the preparation by the two German botanists of another work, Flore Lusitaniae, and for the first time the preface that Hoffmannsegg, at a date later than 1814, ended up writing for this work was translated into Portuguese. The travel books on Portugal were revised, interpreting a lot of the information provided therein, completing it and updating the nomenclature of the species described and, as a complement, an unprecedented manuscript by the Austrian botanist Friedrich Welwitsch about Flore Portugaise was included as an annex, found at the Lisbon Academy of Sciences and an almost unprecedented manuscript by the French amateur botanist Louis-François de Tollenare about the flora of Oporto.
Description: Tese de doutoramento em Biologia, na especialidade de Ecologia, apresentada ao Departamento de Ciências da Vida da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/23805
Rights: openAccess
Appears in Collections:FCTUC Ciências da Vida - Teses de Doutoramento

Files in This Item:
File Description SizeFormat
A Flore Portugaise e as viagens de Hoffmannsegg e Link a Portugal .pdf235.3 MBAdobe PDFView/Open
Show full item record

Page view(s) 5

855
checked on Sep 16, 2019

Download(s)

147
checked on Sep 16, 2019

Google ScholarTM

Check


Items in DSpace are protected by copyright, with all rights reserved, unless otherwise indicated.