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Title: Mineralogia, Geologia, Metalurgia e Arte de Minas no Ensino Industrial na Cidade do Porto (1864-1974)
Authors: Costa, Patrícia 
Orientador: Callapez, Pedro
Chaminé, Hélder
Keywords: Ensino Industrial; Mineralogia; Geologia; Arte de Minas
Issue Date: 27-Mar-2014
Citation: COSTA, Patricia Carla Rodrigues Mota da - Mineralogia, Geologia, Metalurgia e Arte de Minas no Ensino Industrial na Cidade do Porto (1864-1974). Coimbra : [s.n.], 2013. Tese de doutoramento. Disponível em WWW: http://hdl.handle.net/10316/23768
Abstract: A dissertação aqui apresentada debruça-se sobre a temática do ensino da Mineralogia, da Geologia, da Metalurgia e da Arte de Minas no Instituto Industrial do Porto, desde 1964 até 1974, nas suas várias vertentes: cursos, professores, disciplinas (ensino teórico e prático) e coleções museológicas. Com esta investigação procuramos analisar o desenvolvimento do estudo destas áreas do saber na Escola do Porto e o seu eventual contributo para o progresso científico e tecnológico em domínios aplicados à indústria, incluindo a extrativa e a de transformação de matérias-primas de origem geológica. O ensino industrial em Portugal foi sofrendo diversas alterações estruturais e programáticas, que acompanharam sucessivas políticas decretadas pela tutela, mas também os avanços científicos e tecnológicos que se foram registando nesta área, durante mais de 160 anos. Após um tímido dealbar do desenvolvimento industrial e do ensino prático e aplicado, fomentados pela visão reformista do Marquês de Pombal, figura chave da tutela entre 1750 e 1777, os governantes da primeira metade do séc. XIX não souberam dirigir de forma eficaz o seu esforço, chegando o País a meados de oitocentos sem uma indústria modernizada e a laborar em pleno e sem operários qualificados para tal. Sucessivos períodos de conflito e de forte instabilidade política também a isso ajudaram. Com a criação do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria em 30 de Agosto de 1852, no âmbito da Regeneração, iniciou-se novo período de desenvolvimento significativo da economia nacional, tendo como grande interveniente Fontes Pereira de Melo. Anteriormente, com as reformas que se seguiram ao advento definitivo do Liberalismo, já haviam sido criadas algumas escolas vocacionadas para fornecer uma formação profissionalizante. Foi, porém, em finais de 1852 que ocorreu o verdadeiro arranque do ensino industrial em Portugal. Conhecedores da realidade industrial nacional e, em especial, da cidade do Porto, os dirigentes da Associação Industrial Portuense anteciparam-se ao governo e criaram a sua própria escola industrial, denominada Escola Industrial Portuense, em Novembro de 1852. Contudo, a intervenção estatal não tardou, oficializando o ensino industrial com o Decreto de 30 de Dezembro de 1852, através do qual se criaram o Instituto Industrial de Lisboa e a Escola Industrial do Porto. A primeira reforma globalizante do ensino industrial, em 1864, marcou uma viragem importante neste nível de instrução. A escola do Porto passou a denominar-se de Instituto Industrial, tal como a de Lisboa, sendo introduzidas novas áreas do saber nos currículos (disciplinas de Mineralogia, de Geologia, de Metalurgia e de Arte de Minas), novos cursos (Condutores de Minas, professado em três anos, 1ª classe, e quatro anos, 2ª classe) e estabelecimentos auxiliares de ensino (laboratórios e gabinetes). A formação dos alunos passou a ser composta por uma vertente teórica complementada por uma outra com caráter prático e experimental. No período estudado, foram vários os docentes responsáveis por estas disciplinas. Distinguimos António Ferreira Girão, Manuel Rodrigues Miranda Júnior, José Diogo Arroyo, Roberto Bellarmino do Rosário Frias, Celestino Maia ou Artur Mendes da Costa, como alguns dos mais importantes dinamizadores destas áreas na Escola, durante o período em estudo. As cadeiras sofreram várias reformas e alterações consoante o desenvolvimento tomado pelo ensino industrial e as próprias necessidades da indústria contemporânea. Obviamente que estes fatores influenciaram os conteúdos programáticos das mesmas, alterando, igualmente, a sua denominação ao longo dos tempos. Inicialmente a cadeira da área apenas contemplava a Arte de minas, a Docimasia e a Metalurgia. Com a reforma de 1886 introduziram-se conteúdos de Mineralogia e Geologia nos planos de curso, mantendo um trajeto separado até 1974. Os manuais recomendados também foram fonte de referência para entendermos as teorias adotadas e a influência exercida pela escola francesa e suas traduções. A prática estava associada aos gabinetes e laboratórios onde eram realizadas experiências e outros trabalhos, não esquecendo as visitas de estudo efetuadas com objetivo dos alunos tomarem conhecimento da realidade industrial da época. O primeiro estabelecimento auxiliar de ensino a ser criado para estas áreas foi o Gabinete de Mineralogia, seguindo-se o Gabinete de Arte de Minas, o Laboratório Metalúrgico e o Gabinete de História Natural. Para uma aprendizagem mais eficaz, o ensino prático era ministrado com base em espécimes, modelos, instrumentos, quadros parietais e mapas, adquiridos maioritariamente no estrangeiro, em casas comerciais especializadas de renome internacional como Les Fils de Émile Deyrolle (Paris), F. Krantz (Bona), Theodor Gerdorf (Freiberg) ou J. Digeon (Paris), permitindo traçar a história da aprendizagem e da didática das Ciências Geológicas e das Engenharias de Minas e Metalúrgica associadas à história do ensino industrial em Portugal. Em suma, a presença deste tipo de coleções denota um conhecimento científico elevado e uma partilha de ideias e técnicas, o que permitiu a um País como Portugal desenvolver o ensino industrial tendo como referência os países tecnicamente mais desenvolvidos como Inglaterra, França ou Alemanha. A criação do ensino industrial em Portugal constituiu, assim, um importante passo no desenvolvimento do País, numa época em que a indústria e as vias de comunicação estavam em pleno crescimento e, com uma maior facilidade de deslocação, a partilha de conhecimentos se tornava inevitável. Desde modo, e já com mais de 160 anos de história, o Instituto Superior de Engenharia do Porto e os seus diversos acervos (museológico, documental e bibliográfico) são uma referência incontornável para a compreensão da evolução do ensino na cidade do Porto e em Portugal.
Description: Tese de doutoramento em Geologia, Especialidade de História e Metodologia das Ciências Geológicas,apresentada à Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/23768
Rights: embargoedAccess
Appears in Collections:FCTUC Ciências da Terra - Teses de Doutoramento

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