Please use this identifier to cite or link to this item: http://hdl.handle.net/10316/17893
Title: Estruturas com se Anafórico, Impessoal e Decausativo em Português
Authors: Ribeiro, Sílvia Isabel do Rosário 
Orientador: Rio-Torto, Graça Maria de Oliveira e Silva
Keywords: Linguística; Língua portuguesa; Linguística portuguesa; Língua portuguesa -- sintaxe
Issue Date: 28-Nov-2011
Citation: RIBEIRO, Sílvia Isabel do Rosário - Estruturas com se Anafórico, Impessoal e Decausativo em Português. Coimbra : [s.n.], 2011
Abstract: O presente estudo analisa diferentes tipos de estruturas do Português Europeu (PE) actual que incluem o clítico SE. Tendo por base uma abordagem de índole sintáctico-semântica, ancorada, particularmente, em aspectos como a argumentalidade e referencialidade deste clítico, as operações de reorganização temático-argumental a que está associado ou os matizes de interpretação a que se presta, propõe-se a seguinte organização das estruturas de SE: i) estruturas de SE anafórico, reflexas (A Maria inscreveu-se no curso de Verão) e recíprocas (Os candidatos criticaram-se mutuamente durante todo o debate); ii) estruturas de SE impessoal, de sujeito indeterminado (Procedeu-se à revisão das provas) e passivas de SE (Estes livros compraram-se em saldo); iii) estruturas de SE decausativo (Os vidros partiram-se com a ventania). As estruturas de SE inerente (Ela queixou-se da situação) não são estudadas em profundidade neste trabalho, em virtude de a sua análise requerer um rigoroso estudo diacrónico, não comportável no âmbito desta dissertação. Na Parte I deste estudo abordam-se as dimensões teóricas em que este se espalda. Nela se reflecte sobre o estatuto e comportamento do clítico SE (§ 1.2.) e sobre o modo como se correlaciona com outros elementos frásicos que com ele co-ocorrem, sobretudo com os predicadores verbais (§ 1.3.) a que se associa. De seguida, explora-se a relação entre a presença do clítico SE e a activação de operações de reorganização argumental ou diatésica (§ 2.), analisando-se, ainda, a importância destas últimas para a definição de vários patamares de (in)transitividade (§ 3.). A Parte II deste estudo é consagrada à análise dos padrões de uso de SE em PE actual. Para tal, organizam-se as estruturas sob escopo em função dos cinco tipos acima referidos (reflexas, recíprocas, de sujeito indeterminado, passivas e decausativas), analisando-as no que respeita às operações argumentais a que estão associadas e às propriedades sintáctico-semânticas exibidas pelo respectivo SN sujeito e pelos predicadores nelas incluídos. Em função desta análise, apuram-se as características do clítico SE que nelas actua, nomeadamente quanto ao seu estatuto argumental, à sua capacidade referencial e à influência que tem na determinação da organização sintáctico-semântica das estruturas em que opera. A investigação realizada permitiu verificar que o clítico que ocorre nas várias estruturas em análise exibe propriedades e comportamentos bastante diferentes. Na realidade, trata-se de um operador muito versátil que, em função das propriedades dos elementos frásicos com que co-ocorre, revela características distintas, nelas assentando a proposta de definição dos vários usos de SE acima elencados. Os diferentes usos de SE que identificámos distinguem-se, sobretudo, em função do estatuto [+/- argumental] do clítico, do argumento que materializa (quando dotado de estatuto argumental), do seu carácter referencialmente (não)autónomo e da influência que tem na organização e materialização da estrutura temático-argumental dos predicadores a que se associa, bem como na definição das leituras associadas às construções em que se integra. Assim, distinguem-se: i) usos argumentais de SE (nas estruturas reflexas, recíprocas, de sujeito indeterminado e passivas); ii) usos não argumentais (estruturas decausativas e de SE inerente); iii) usos de SE com capacidade referencial autónoma (SE indeterminador e SE apassivador); iv) usos em que o clítico se afigura como referencialmente dependente (SE reflexo e SE recíproco). Se há contextos em que SE está associado a importantes alterações na organização e materialização da estrutura temático-argumental dos predicadores (SE decausativo e SE apassivador) outros há em que tal não se verifica (SE reflexo, SE recíproco e SE indeterminador). Na realidade, independentemente destas diferenças, a presença do clítico SE está sempre associada à atenuação da manifestação sintáctico-lexical de um dos argumentos seleccionados pelos predicadores em uso: no caso das estruturas decausativas, a presença de SE sinaliza a total perda do argumento externo; nas restantes estruturas, SE ocorre como realização signicamente reduzida – porque cliticizada – de um dos argumentos verbais. Esta codificação compactada de um dos argumentos (ou a sua total anulação, no caso das estruturas decausativas) está associada à atenuação – em diferentes níveis e em diversos graus – da transitividade das estruturas em uso, podendo esta resultar de motivações de ordem semântico-ontológica (estruturas de SE anafórico) ou pragmático-discursiva (estruturas de SE impessoal e de SE decausativo).
This study analyses different structures that, in contemporary European Portuguese, include the clitic SE. Based on a syntactic-semantic approach, we propose the organisation of these structures in three main groups: i) anaphoric SE structures: reflexive (A Maria inscreveu-se no curso de Verão) and reciprocal (Os candidatos criticaram-se mutuamente durante todo o debate); ii) impersonal SE structures: passives (Estes livros compraram-se em saldo) and with an indeterminate subject (Procedeu-se à revisão das provas); iii) decausative SE structures (Os vidros partiram-se com a ventania). This distribution is particularly anchored in criteria such as the clitic’s argumental character, its referential capability, the operations of thematic-argumental reorganisation it is associated with or the different readings it activates. We do not study inherent SE structures (Ela queixou-se da situação) in depth as its analysis requires a rigorous diachronic study, which is not feasible in this work. The first part of this study presents the theoretical dimensions in which the empirical analysis is based on. It includes some reflections on the behaviour and the status of the clitic and also some considerations about the way it relates to the other constituents of the sentence, mainly to verbs. It also focuses on the relation between the presence of the clitic and the activation of different operations of diathesis reorganisation. Finally, we analyse the importance of these diathesis operations to the definition of different levels of (in)transitivity. The second part of this study is devoted to the empirical analysis of the different uses of this clitic. We organise the structures under analysis according to the five types identified above (reflexives, reciprocals, with an undetermined subject, passives and decausatives), examining them with respect to the diathesis operations to which they are associated as well as the verb’s and the subject’s syntactic and semantic properties. Based on the previously mentioned analysis, we look into the clitic’s characteristics, namely its argumental status, its referential capability and its influence on the syntactic and semantic organisation of the structures where it occurs. This research has allowed to verify that the clitic occurring in the different structures under analysis exhibits different behaviours and properties. Actually, it is a very versatile operator which reveals distinct features, according to the characteristics of the other constituents of the sentence. The different uses of SE we have identified can be distinguished mainly in what concerns its [+/ – ] argumental status and the argument it realises (when it has argumental status), being also related to the clitic’s referential (non)autonomy and to the influence it has on the organisation of the verbs’ thematic and argumental structure or on the different readings associated to the constructions where it occurs. Therefore, we distinguish: i) Argumental uses of SE (when used on reflexives, reciprocals, passives and with an undetermined subject structures); ii) Non argumental uses of SE (when used on decausative and inherent SE structures); iii) Uses of SE with autonomous reference (when used on passive structures and structures with an undetermined subject); iv) Uses of SE without autonomous reference (reflexive SE and reciprocal SE). There are contexts in which the clitic is associated to important changes on the organisation and on the materialisation of the verb’s thematic and argumental structure (decausative SE and passive SE), and other contexts where the clitic is not related to any of these changes (reflexive SE, reciprocal SE and undetermined SE). Actually, regardless of these differences, the clitics’ presence is always associated with the mitigation of the lexical-syntactic realisation of one of the arguments of the verb: when used in decausative structures, SE signals the total loss of the external argument; when used in other structures, SE occurs as a signically reduced – because cliticised – realisation of one of the verb’s arguments. This compressed codification of one of the verb’s arguments (or its total annulment with decausatives) is linked – in different levels and degrees – to the mitigation of the transitivity of these structures. This detransitivisation is a result of semantic-ontological motivations or pragmatical-discoursive motivations.
Description: Tese de doutoramento em Letras, na área de Línguas e Literaturas Modernas, na especialidade de Linguística Portuguesa, apresentada à Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra
URI: http://hdl.handle.net/10316/17893
Rights: openAccess
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